Skip to main content

Posts

Showing posts with the label desemprego

Viver o Desemprego...

Um dia, depois de anos e anos a acordar com hora marcada para chegar a horas ao emprego, depara-mo-nos com a dura realidade de já não ser preciso acordar cedo.  Acordar cedo é para quem tem o que fazer, para quem tem para onde ir, não para quem repentinamente se depara com o desemprego e não tem hora marcada para nada, nem tarefas obrigatórias a cumprir.  Acordar cedo para quê?  Quanto mais cedo se acorda, mais tempo temos para nada fazer, mais tempo temos para pensar no vazio em que repentinamente a vida se tornou. Dizem-nos que temos que contrariar esses pensamentos, que não nos podemos entregar ao desemprego. É verdade, não podemos. Mas com o passar do tempo, o desemprego deixa de ser uma situação, para passar a fazer parte de um estado de alma, e é difícil controlar e contrariar o que nos vai na alma.  Atrasam-se contas, passamos a ter insónias, deixamos de viver, passamos a sobreviver. Mandam-se currículos, responde-se a  anúncios, vivemos na ...
Mais um dia de “controle” na segurança social… Uma fila de três quartos de hora de espera, para provar que estou viva. Com o passar dos meses, a fila aumenta, alguns rostos já conhecidos, muitos rostos novos. E é impossível não sentir revolta, frustração, tristeza, ao ver os rostos cinzentos, de pessoas com idade para estarem sossegadas, numa fila de desemprego. Pessoas a quem a vida pregou uma rasteira e viram o seu mundo repentinamente desabar, como um qualquer castelo de cartas tombado pelo vento…pessoas que são tratadas como números, porque o sistema acha que são velhos para trabalhar e novos para a reforma…pessoas com ar amargo, de quem não compreende o porquê de lhes ter acontecido a elas…pessoas a quem “alguém” roubou o sonho do futuro, rostos que deixaram de acreditar num “amanhã” melhor, porque o amanhã para elas pode já ser tarde… (imagem algures da net)
 Relvas diz que o  desemprego lhe tira o sono. Como eu o compreendo, a mim também!  Amigo Relvas, aconselho-te a ir ao médico de família, a minha receitou-me uns comprimidos que diz que não há desemprego que lhes resista! Se bem que, a julgar pela palhaçadas que tens feito, desemprego é algo que não tens com que te preocupar, basta que peças a equivalência de comediante e rapidamente tiras o lugar ao Nilton!