"O outro lado de Lisboa que todos aqueles que acham que esta cidade é um paraíso deviam conhecer, mas há hora que essa miséria é mais visível estão na caminha deitados no quentinho... Foi esta madrugada em plena baixa de Lisboa que morreu Joaquim. Não era actor nem artista. Não era famoso, nem conhecido. Não tinha fama. Era só o Joaquim. Era apenas um homem que tinha passado pela guerra, que tinha sido abandonado pela nação e pelo povo pelo qual lutou. Um homem cuja vida era passada entre um embrulho de papel e uma resma de jornais sendo estes o cobertor que noite após noite ab raçava o seu corpo cansado das cicatrizes dos homens e das mulheres que por ele passavam e nem um olhar lhe dirigiam. Era o Joaquim. Homem que não se achava merecedor de uma cama quente, de um duche tranquilizante, de um prato de sopa que lhe apazigua-se o rato que amiúde lhe roía o estômago. Era o Joaquim de botelha na mão, carro do mercado nas unhas com o qual transportava os seus bens ma...